Não é de hoje que venho pensando no ser humano e a capacidade de se vingar, pagar na mesma moeda, dar o troco, ou sei lá eu quantas expressões existem para dizer a mesma coisa, desta forma, ficarei apenas com as que eu citei.
Desde que aprendi o significado da palavra empatia, procuro usá-la em todas as ocasiões, às vezes é extremamente difícil, o momento não contribui, entre outras coisas.
Ultimamente, tenho me deparado muito com pessoas vingativas, sinceramente, às vezes fico até com vontade de não mais existir, devido ao tanto que sinto com tudo isso.
As pessoas estão muito voltadas para os seus mundinhos, pensar no outro, quase não existe mais. Se eu fosse contar todas as situações que percebi quando alguém se vingava de mim, acho que faltariam caracteres, faltariam dedos para digitar e talvez eu ficasse uns 2 meses sem dormir ou se levantar da cadeira para qualquer coisa, sem exagerar.
Talvez essa história de vingança veio da educação que se recebe em casa, hmm... acho que não, pois eu e minha irmã recebemos a mesma educação e ela é uma exímia vingativa, talvez seja a visão de mundo que cada um tem, poderia propor várias opções para o prazer de vingança do ser humano, mas hoje não, quem sabe um outro dia?
Tenho vontade de contar todas as situações que fui vítima de vingança, mas é melhor não, vai que os vingativos apareçam por aqui e decidam se vingar ainda mais?
Enfim, tudo isso tem me deixado triste, a vingança sempre vem de quem você menos espera, portanto fique atento leitor, a próxima vítima pode ser você.
Ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=6TUWsBWyOZA&feature=related
"Palavras foram feitas pra serem ditas e não para enfeitarem como um colar de ouro falso." Antônio Carlos Viana
domingo, 23 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
Educação

Sempre pensei na infância com muitas saudades, ainda mais quando paro pra pensar na infância dos dias atuais, percebo o quanto eu era criança, o quanto eu era inocente, fatores que não estão presentes na infância moderna.
Lembro que nunca tive muito, mas o pouco que tive era o suficiente pra ser feliz, meu pai tomava conta de um terreno baldio ao lado da minha casa, lá ele criava, galinhas, ganços, patos, fora as plantações, o pé de abacate, a goiabeira, o pézinho de limão e o delicioso pé de amora, ai que saudade das minhas mãos e os lábios roxos de tanto comer amora do pé!
Como já disse, não tinha muito, minha infância não foi privilegiada com brinquedos, computadores, vídeo-games, celulares, ipods e todos estes apetrechos modernos que nos deparamos hoje, enfim, os brinquedos eram inventados por nós.
Cresci com minhas primas, eu era a mais nova, brincávamos no terreno baldio, meu pai construiu um balanço e nós balançávamos as 3, quando o balaço alcançava o alto, eu me sentia livre, aquele friozinho prazeiroso na barriga, acompanhado de medo e adrenalina, e eu gritava "mais forte!" "mais alto!" E foi numa dessas que eu levei um baita tombo, caí em cima de um monte de cerâmica que me deixou uma cicatriz na barriga até hoje! Relembrando os bons momentos, quando não estávamos no balanço, fazíamos bolinhos de barro, comidinhas de matinhos, pulávamos corda, elástico, brincávamos de estátua, corre-corre, pique-esconde, contávamos histórias, piadas e mais um monte de coisa.
Hoje vejo meu sobrinho crescer e sinto pena, pena porque a infância dele é totalmente diferente, fica preso dentro de casa, não brinca com terra, é fissurado no tal de PS2, tem celular e sabe de cór todos esses desenhos da TV. Fico triste ao notar o quanto se tem hoje e mesmo assim não se é feliz, quanto mais tem, mais se quer, e com ele não é diferente, sempre que sai um brinquedo novo, "Mãe eu quero!" "Vovó compra pra mim?" "Titia eu quero aquele carrinho de controle remoto do Ben 10!" E a gente o que faz? Cede!
Atendemos todas as vontades do menino, é impressionante o poder que ele tem sobre nós, talvez seja por ser o único neto, o único sobrinho, o único filho. Acontece que nessa história de atender às vontades das crianças acabamos por estragá-las. É isso o que vem acontecendo com o meu sobrinho, tem apenas sete anos e é tão respondão, tão malcriado, tão mal educado, que chega é triste.
Deveria ser ao contrário, por se ter tudo o que se deseja as crianças poderiam ser mais educadas, mas não posso culpá-las por isso e sim os pais que estão cada vez mais ausentes e sem tempo acabam por satisfazer todos os desejos dos pequenos para aliviar um pouco suas culpas.
Eu sempre quis ter um sobrinho, quando soube da gravidez da minha irmã, fiquei mais feliz do que a própria, conversava com o bebê enquanto este ainda estava na barriga e quando nasceu era um grude só!
Sempre tratei meu sobrinho muito bem, sou uma tia coruja, sou eu assumo, dou tudo o que ele quer, desde que esteja ao meu alcance, minha irmã mora longe, quase não tenho contato com eles, quando ela vem pra cá é uma festa danada, uma saudade só, mas de uns tempos pra cá, fico triste toda vez que encontro meu sobrinho, vejo o quanto minha irmã tem errado em sua educação, o quanto ele está malcriado, respondão, o quanto ele diz coisas feias, coisas que na idade dele eu nem sabia que existiam, toda vez que eu tento conversar, dizer o que penso a respeito, dizer o que poderia modificar, ouço sempre a mesma coisa "quem é você pra opinar alguma coisa pirralha, olha a sua idade, você não tem experiência de nada!" Diante de tudo isso tenho me calado, não deveria, mas acontece que eu não sou a mãe, não foi eu quem o carregou os 9 meses na barriga, então quem sou eu pra dizer como educar?
Só sei que é triste, vejo meu sobrinho crescendo assim, tenho a impressão de que ele se tornará um adulto amargo, tomara que eu esteja errada, mas se continuar assim boa pessoa ele não será.
Queria que ele pudesse aproveitar o quanto eu aproveitei, gozar das mesmas coisas, mexer na terra, correr com as outras crianças, crescer fora desta era tão globalizada que fazem as crianças escravas do computador, da TV, do vídeo-game, do celular etc.
Infelizmente, nem tudo é como a gente deseja.
Ouvindo "The Man who sold the world - Bowie"
terça-feira, 8 de junho de 2010
A espera de um milagre
Ela continuava sentada no quintal com os braços envoltos aos joelhos, a cabeça abaixada como quem enxergasse alguma coisa no chão, ao invés de enxergar, os olhos buscavam por respostas, respostas que ela teimava em encontrar ali mesmo sabendo que não as encontraria.
"Entra menina, vem almoçar!" A mãe a chamou, mas ela continuava ali imóvel, depois de um tempo, a mãe tornou a berrar.
"A comida está na panela, vou sair, preciso entregar as roupas para o Seu Tomás, cuide do seu irmão!"
A mãe lavava e passava roupa para fora, era o sustento da família desde que o pai os abandonara, moravam os três naquele quarto e cozinha apertado, o que salvara era o quintal, enorme, com o tanque da mãe no fundo, uma mangueira, e uma hortinha que mais parecia um monte de mato junto.
A menina beirava seus quinze anos, e ultimamente tinha pensado muito em uma única coisa, a tão sonhada festa, aquelas com baile de debutantes, vestido, príncipe e tudo o que se tem direito quando se faz quinze anos, mas para ela, tudo não passara de um sonho bem distante.
Eram muito pobres, a mãe ganhava uma miséria, às vezes mal tinham o que comer, as roupas que ela usava eram doações das filhas das patroas da mãe, não se lembrava se um dia tivera algo novo, quando criança, cansou de deixar os sapatinhos na janela esperando que o Papai Noel pudesse surgir e deixar uma boneca ou um vestido.
Agora já era "grande", quando tomava banho olhava as transformações do corpo no pedaço de espelho grudado na parede, o seio crescendo, a cintura afinurando, sim estava se tornando uma mulher.
Na escola não falava com ninguém, havia apenas uma menina em condições semelhantes as dela, era melhor não ajuntar a pobreza, as outras meninas não eram ricas, mas tinham pai e mãe que trabalhavam, andavam bonitas, bem vestidas contavam vantagens.
Uma vez ouviu uma garota da sala dizer que daria uma festa para comemorar seus quinze anos, chamou as amigas para ser debutantes, e ela ali escutando tudo, morrendo de vontade, esperando o seu convite, mas logo voltou à realidade, não poderia ser convidada, não falava com a aniversariante, não tinha roupa para ir, e na escola não se falava em outro assunto a não ser a festa da tal garota.
No dia seguinte, mais comentários, todos a parabenizavam pela festa maravilhosa, inclusive alguns professores que ela fez questão de convidar.
A menina ficou ali, sentada no canto da sala, com aquela pontinha de inveja, desejando ser a "colega" de classe, desejando não ser tão pobre, desejando ter amigos, por um momento sentiu ódio de si mesma, por sonhar com o que nunca poderia ter.
E agora ali no quintal sentada, perto de completar quinze anos, relembrava tudo, sentiu ódio do pai por os ter abandonado, ódio da mãe por não ter ido atrás dele e permitir que vivessem em extrema pobreza, ódio do irmãozinho por viver feliz, não enxergar as coisas da mesma forma que ela.
Uma lágrima caiu no chão barrento, a cabeça continuava abaixada, os pensamentos eram os mesmos, mudar, mudar, mudar, esperava por um milagre, sonhava que o pai voltasse e dissesse que as coisas iriam melhorar que ela nunca mais usaria roupas usadas e teria a sua tão sonhada festa de quinze anos.
A noite chegou sem que ela percebesse, continuava ali no quintal esperando o milagre, o irmãozinho brincava com um caminhãozinho na soleira da porta, a mãe chegou e percebeu que tudo se encontrara da mesma forma que deixou antes de sair, cansada foi até o quintal encontrou a filha na mesma posição, beijou a menina e disse "Entra, já é tarde, vá tomar banho que amanhã tem aula!"
A menina obedeceu, a mãe esquentou a sobra do almoço para o pequeno, ele comeu e dormiu, a menina não quis comer, saiu do banho e deitou-se, a mãe deitou-se logo em seguida, e como de costume chorou baixinho até pegar no sono, assim como a filha ela também esperava por um milagre, esperava pelo dia em que pudesse dar uma vida melhor aos seus filhos.
Ahhhh, se a menina soubesse...
"Entra menina, vem almoçar!" A mãe a chamou, mas ela continuava ali imóvel, depois de um tempo, a mãe tornou a berrar.
"A comida está na panela, vou sair, preciso entregar as roupas para o Seu Tomás, cuide do seu irmão!"
A mãe lavava e passava roupa para fora, era o sustento da família desde que o pai os abandonara, moravam os três naquele quarto e cozinha apertado, o que salvara era o quintal, enorme, com o tanque da mãe no fundo, uma mangueira, e uma hortinha que mais parecia um monte de mato junto.
A menina beirava seus quinze anos, e ultimamente tinha pensado muito em uma única coisa, a tão sonhada festa, aquelas com baile de debutantes, vestido, príncipe e tudo o que se tem direito quando se faz quinze anos, mas para ela, tudo não passara de um sonho bem distante.
Eram muito pobres, a mãe ganhava uma miséria, às vezes mal tinham o que comer, as roupas que ela usava eram doações das filhas das patroas da mãe, não se lembrava se um dia tivera algo novo, quando criança, cansou de deixar os sapatinhos na janela esperando que o Papai Noel pudesse surgir e deixar uma boneca ou um vestido.
Agora já era "grande", quando tomava banho olhava as transformações do corpo no pedaço de espelho grudado na parede, o seio crescendo, a cintura afinurando, sim estava se tornando uma mulher.
Na escola não falava com ninguém, havia apenas uma menina em condições semelhantes as dela, era melhor não ajuntar a pobreza, as outras meninas não eram ricas, mas tinham pai e mãe que trabalhavam, andavam bonitas, bem vestidas contavam vantagens.
Uma vez ouviu uma garota da sala dizer que daria uma festa para comemorar seus quinze anos, chamou as amigas para ser debutantes, e ela ali escutando tudo, morrendo de vontade, esperando o seu convite, mas logo voltou à realidade, não poderia ser convidada, não falava com a aniversariante, não tinha roupa para ir, e na escola não se falava em outro assunto a não ser a festa da tal garota.
No dia seguinte, mais comentários, todos a parabenizavam pela festa maravilhosa, inclusive alguns professores que ela fez questão de convidar.
A menina ficou ali, sentada no canto da sala, com aquela pontinha de inveja, desejando ser a "colega" de classe, desejando não ser tão pobre, desejando ter amigos, por um momento sentiu ódio de si mesma, por sonhar com o que nunca poderia ter.
E agora ali no quintal sentada, perto de completar quinze anos, relembrava tudo, sentiu ódio do pai por os ter abandonado, ódio da mãe por não ter ido atrás dele e permitir que vivessem em extrema pobreza, ódio do irmãozinho por viver feliz, não enxergar as coisas da mesma forma que ela.
Uma lágrima caiu no chão barrento, a cabeça continuava abaixada, os pensamentos eram os mesmos, mudar, mudar, mudar, esperava por um milagre, sonhava que o pai voltasse e dissesse que as coisas iriam melhorar que ela nunca mais usaria roupas usadas e teria a sua tão sonhada festa de quinze anos.
A noite chegou sem que ela percebesse, continuava ali no quintal esperando o milagre, o irmãozinho brincava com um caminhãozinho na soleira da porta, a mãe chegou e percebeu que tudo se encontrara da mesma forma que deixou antes de sair, cansada foi até o quintal encontrou a filha na mesma posição, beijou a menina e disse "Entra, já é tarde, vá tomar banho que amanhã tem aula!"
A menina obedeceu, a mãe esquentou a sobra do almoço para o pequeno, ele comeu e dormiu, a menina não quis comer, saiu do banho e deitou-se, a mãe deitou-se logo em seguida, e como de costume chorou baixinho até pegar no sono, assim como a filha ela também esperava por um milagre, esperava pelo dia em que pudesse dar uma vida melhor aos seus filhos.
Ahhhh, se a menina soubesse...
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Cotidiano
Fazia tempo que ele não se sentia assim, fazia tempo que não se deparava com a tristeza, talvez estivesse sobrecarregado demais, o trabalho, a família, os estudos, talvez tivessem lhe roubado a tristeza.
Ele estava bem, mergulhado numa correria desgastante não tinha tempo para lembrar que era triste.
Sentado no ônibus voltando pra casa, preso no trânsito de São Paulo, lembrou de si, lembrou que fazia tempos que não parava pra refletir, era como se tivessem escondido todas as coisas ruins que havia em seu peito, mas naquele momento estavam devolvendo, e ele foi lembrando de tudo.
O vazio foi tomando conta e apertando o peito, desatou a gravata e abriu dois botões da camisa talvez conseguisse respirar melhor, não conseguiu, o ônibus não andava, observou as pessoas ao seu redor, uma mocinha lia, um rapaz falava ao celular com a namorada, um jovem ouvia música e assim sucessivamente, e ele ali, preso, com medo de relembrar sua vida triste, pediu licença e desceu do ônibus.
Estava chovendo, talvez a água da chuva limpasse sua alma triste, foi andando, não tinha pressa, respirava melhor, mas o peito ainda doia, não entendia o motivo daquela dor, estaria enfartando?!
Não, estava bem, só que a dor o incomodava, caminhou, lembrou da mulher e do filho em casa, não sabia porque tinha casado, não sabia porque tinha constituído família, de uns tempos pra cá, tudo tinha perdido o sentido, ele não achava graça, não tinha prazer, fazia tudo por fazer ou se o leitor preferir para manter o social.
Mesmo não desejando, sabia que precisava manter sua rotina, mas era horrível fazer tudo sem vontade, levantar cedo todos os dias olhar para cara do chefe insuportável, depois vinham os estudos estava totalmente sem cabeça para trabalhar em tal projeto, mas se esforçava sabia quais eram suas obrigações e precisava cumprí-las o pior era voltar pra casa, encontrar a mulher lá toda carinhosa e o filho que insistia em pedir pra jogar futebol, mas ele não aguentava, não tinha ânimo, as vezes lhe faltava vontade de comer, simplesmente chegava em casa tomava um banho e caia na cama, afinal era preciso descansar, no dia seguinte tudo se repetiria e ele precisava se preparar.
A mulher achara que o problema fosse ela, comprou camisola nova, pediu conselho para as amigas chegou mesmo até recorrer as forças ocultas do candomblé, mas tentativas inúteis, ele continuava do mesmo jeito, sem ânimo, sem vida, não aguentando mais tamanho descaso, resolveu se separar, ele nem sentiu muito, ela ficou no apartamento, ele depositava todo o mês uma quantia simbólica, mas não fazia questão de ver o filho.
Depois de um certo tempo, pediu demissão, todo o dinheiro que recebeu, depositou na conta da mulher, se fechou no apartamento e ficou ali sozinho, não atendia o telefone, não abria a janela, não saia para nada.
A barba foi crescendo, a comida acabara, precisa sair, mas não tinha ânimo, não tinha fome, deitou na cama e dormiu o sono eterno.
Ele estava bem, mergulhado numa correria desgastante não tinha tempo para lembrar que era triste.
Sentado no ônibus voltando pra casa, preso no trânsito de São Paulo, lembrou de si, lembrou que fazia tempos que não parava pra refletir, era como se tivessem escondido todas as coisas ruins que havia em seu peito, mas naquele momento estavam devolvendo, e ele foi lembrando de tudo.
O vazio foi tomando conta e apertando o peito, desatou a gravata e abriu dois botões da camisa talvez conseguisse respirar melhor, não conseguiu, o ônibus não andava, observou as pessoas ao seu redor, uma mocinha lia, um rapaz falava ao celular com a namorada, um jovem ouvia música e assim sucessivamente, e ele ali, preso, com medo de relembrar sua vida triste, pediu licença e desceu do ônibus.
Estava chovendo, talvez a água da chuva limpasse sua alma triste, foi andando, não tinha pressa, respirava melhor, mas o peito ainda doia, não entendia o motivo daquela dor, estaria enfartando?!
Não, estava bem, só que a dor o incomodava, caminhou, lembrou da mulher e do filho em casa, não sabia porque tinha casado, não sabia porque tinha constituído família, de uns tempos pra cá, tudo tinha perdido o sentido, ele não achava graça, não tinha prazer, fazia tudo por fazer ou se o leitor preferir para manter o social.
Mesmo não desejando, sabia que precisava manter sua rotina, mas era horrível fazer tudo sem vontade, levantar cedo todos os dias olhar para cara do chefe insuportável, depois vinham os estudos estava totalmente sem cabeça para trabalhar em tal projeto, mas se esforçava sabia quais eram suas obrigações e precisava cumprí-las o pior era voltar pra casa, encontrar a mulher lá toda carinhosa e o filho que insistia em pedir pra jogar futebol, mas ele não aguentava, não tinha ânimo, as vezes lhe faltava vontade de comer, simplesmente chegava em casa tomava um banho e caia na cama, afinal era preciso descansar, no dia seguinte tudo se repetiria e ele precisava se preparar.
A mulher achara que o problema fosse ela, comprou camisola nova, pediu conselho para as amigas chegou mesmo até recorrer as forças ocultas do candomblé, mas tentativas inúteis, ele continuava do mesmo jeito, sem ânimo, sem vida, não aguentando mais tamanho descaso, resolveu se separar, ele nem sentiu muito, ela ficou no apartamento, ele depositava todo o mês uma quantia simbólica, mas não fazia questão de ver o filho.
Depois de um certo tempo, pediu demissão, todo o dinheiro que recebeu, depositou na conta da mulher, se fechou no apartamento e ficou ali sozinho, não atendia o telefone, não abria a janela, não saia para nada.
A barba foi crescendo, a comida acabara, precisa sair, mas não tinha ânimo, não tinha fome, deitou na cama e dormiu o sono eterno.
Lidando com cheiros
É imprecionante a capacidade humana em memorizar certos aspectos, memorizamos, guardamos no nosso HD e a informação fica ali retida e no momento certo ela ressurge como o sol de todas as manhãs.
Não tinha parado pra pensar nisso, até que me deparei com situações em que minha memória relembrou coisas que eu tinha guardado, mas nem lembrava que existiam, vou ser mais específico, é como um baú que se guarda tantas coisas, e um dia do nada você resolve fuçar e se depara com diversas coisas que você nem lembrava, por exemplo, o album de fotos da família, um ursinho, um cobertor, um boneco do he man, dentre outras coisas que me falham a memória, ou deixo a imaginação do leitor, afinal o baú é seu, e nele você guarda o que quiser.
Ultimamente minha mémória está alerta aos cheiros, esquisito não?! Mas é verdade, encontro pessoas, sinto seus cheiros e automaticamente ressurge na memória um conhecido com cheiro semelhante. Coisa de doido?! Ser for, considero-me insano!
Lembro da primeira vez que minha memória detectou os cheiros, rapidamente me veio à memória tal pessoa, fiquei pensando, o motivo para aquilo, e cheguei à conclusão de que só armazenava o cheiro devido à importância que tal pessoa tinha na minha vida, afinal se passaram várias pessoas pela minha vida e eu só conseguia lembrar o cheiro de duas, a primeira nem foi tão importante assim, mas a segunda me marcou de certa forma, que mesmo quando não sentia cheiro nenhum, fechava os olhos respirava fundo e sentia seu aroma, eu sentia, porque queria, porque desejava, às vezes me fazia um bem inexplicável, outras, um mal horrendo, uma solidão repleta de saudades.
E depois de tanto tempo, eu ainda sinto o cheiro, o perfume eu sei que não é mais o mesmo, afinal as pessoas amadurecem e mudam seus perfumes, mas eu, eu ainda sinto, e junto com o aroma recordo momentos marcantes da nossa fase juvenil.
Não tinha parado pra pensar nisso, até que me deparei com situações em que minha memória relembrou coisas que eu tinha guardado, mas nem lembrava que existiam, vou ser mais específico, é como um baú que se guarda tantas coisas, e um dia do nada você resolve fuçar e se depara com diversas coisas que você nem lembrava, por exemplo, o album de fotos da família, um ursinho, um cobertor, um boneco do he man, dentre outras coisas que me falham a memória, ou deixo a imaginação do leitor, afinal o baú é seu, e nele você guarda o que quiser.
Ultimamente minha mémória está alerta aos cheiros, esquisito não?! Mas é verdade, encontro pessoas, sinto seus cheiros e automaticamente ressurge na memória um conhecido com cheiro semelhante. Coisa de doido?! Ser for, considero-me insano!
Lembro da primeira vez que minha memória detectou os cheiros, rapidamente me veio à memória tal pessoa, fiquei pensando, o motivo para aquilo, e cheguei à conclusão de que só armazenava o cheiro devido à importância que tal pessoa tinha na minha vida, afinal se passaram várias pessoas pela minha vida e eu só conseguia lembrar o cheiro de duas, a primeira nem foi tão importante assim, mas a segunda me marcou de certa forma, que mesmo quando não sentia cheiro nenhum, fechava os olhos respirava fundo e sentia seu aroma, eu sentia, porque queria, porque desejava, às vezes me fazia um bem inexplicável, outras, um mal horrendo, uma solidão repleta de saudades.
E depois de tanto tempo, eu ainda sinto o cheiro, o perfume eu sei que não é mais o mesmo, afinal as pessoas amadurecem e mudam seus perfumes, mas eu, eu ainda sinto, e junto com o aroma recordo momentos marcantes da nossa fase juvenil.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
O poder do salzinho
Levantou com uma vontade esquisita de mudar tudo, mas antes de sair por aí mudando, resolveu começar por si.
Ligou o rádio, desta vez numa música diferente, ao invés do techno de todos os dias, começou com Seeds of Love do Tears for Fears, jogou o pijama, foi até o banheiro, olhou-se no espelho, "que cabelo" a tesoura sobre a pia, não pensou muito. Cortou-os pouco acima dos ombros.
Tomou banho, e na hora de se vestir, o guarda-roupa não era um dos melhores, como estava calor, pegou um jeans e fez de bermuda, coloriu a camiseta branca, acrescentou retalhos, fita de cetim e botões, o sapato "hmm, vai o vermelhinho", pegou a bolsa, passou novamente pelo banheiro, olhou-se no espelho, os olhos estavam diferentes, radiantes, abriu a portinha do espelho, pegou um vidrinho e saiu.
Ia passando direto, mas foi surpreendida "Não vai tomar café?" Beijou a mãe como nunca tinha beijado, pegou uma maçã e saiu!
A pobre senhora ficou sem entender, mas gostou do gesto carinhoso.
Começou a pensar na vida em sociedade, era um tanto quanto complicada, era preciso muita cautela ao agir, pois uma palavra fere com a mesma intensidade que uma bala de revólver.
De repente algo lhe chamou atenção, um motoqueiro discutindo com um motorista, sentiu que precisava fazer alguma coisa, abriu a bolsa, tirou o vidrinho que pegou do banheiro de casa, abriu, tirou um pouquinho do salzinho, passou entre os homens, jogou o salzinho sobre eles, os dois ficaram assustados, ela disse "para que vocês tenham um ótimo dia e pelo menos por hoje não deixem que nada estrague isso!" e saiu andando, olhou para trás desfarçadamente, os homens se desculpavam, o salzinho havia funcionado.
No caminho deparou com uma moça triste, jogou o salzinho próximo ao coração "para que alegria retorne ao seu coração" a moça sorriu e logo correu como se precisasse fazer alguma coisa.
Continou andando, se deparou com um casal aos berros, ficou espiando através da janela sem ser percebida jogou o salzinho "para que vocês sejam mais tolerantes" logo o marido pediu desculpas e abraçou a esposa.
Mais uma ação que deu certo e o dia inteiro foi assim, distribuindo salzinho pelos lugares, estava tão centrada em ações positivas que esqueceu de suas necessidades pessoais, não sentiu fome, não sentiu sede, agora o cansaço tomava conta do corpo, havia andado muito.
Sentou em uma calçada, o pote do salzinho estava vazio, ficou ali olhando, satisfeita, mas ainda faltava alguma coisa, não sabia o que era.
Sentiu um braço envolver seu pescoço, um abraço carinhoso e sussurros no ouvido "agora eu cuido de você!"
Ligou o rádio, desta vez numa música diferente, ao invés do techno de todos os dias, começou com Seeds of Love do Tears for Fears, jogou o pijama, foi até o banheiro, olhou-se no espelho, "que cabelo" a tesoura sobre a pia, não pensou muito. Cortou-os pouco acima dos ombros.
Tomou banho, e na hora de se vestir, o guarda-roupa não era um dos melhores, como estava calor, pegou um jeans e fez de bermuda, coloriu a camiseta branca, acrescentou retalhos, fita de cetim e botões, o sapato "hmm, vai o vermelhinho", pegou a bolsa, passou novamente pelo banheiro, olhou-se no espelho, os olhos estavam diferentes, radiantes, abriu a portinha do espelho, pegou um vidrinho e saiu.
Ia passando direto, mas foi surpreendida "Não vai tomar café?" Beijou a mãe como nunca tinha beijado, pegou uma maçã e saiu!
A pobre senhora ficou sem entender, mas gostou do gesto carinhoso.
Começou a pensar na vida em sociedade, era um tanto quanto complicada, era preciso muita cautela ao agir, pois uma palavra fere com a mesma intensidade que uma bala de revólver.
De repente algo lhe chamou atenção, um motoqueiro discutindo com um motorista, sentiu que precisava fazer alguma coisa, abriu a bolsa, tirou o vidrinho que pegou do banheiro de casa, abriu, tirou um pouquinho do salzinho, passou entre os homens, jogou o salzinho sobre eles, os dois ficaram assustados, ela disse "para que vocês tenham um ótimo dia e pelo menos por hoje não deixem que nada estrague isso!" e saiu andando, olhou para trás desfarçadamente, os homens se desculpavam, o salzinho havia funcionado.
No caminho deparou com uma moça triste, jogou o salzinho próximo ao coração "para que alegria retorne ao seu coração" a moça sorriu e logo correu como se precisasse fazer alguma coisa.
Continou andando, se deparou com um casal aos berros, ficou espiando através da janela sem ser percebida jogou o salzinho "para que vocês sejam mais tolerantes" logo o marido pediu desculpas e abraçou a esposa.
Mais uma ação que deu certo e o dia inteiro foi assim, distribuindo salzinho pelos lugares, estava tão centrada em ações positivas que esqueceu de suas necessidades pessoais, não sentiu fome, não sentiu sede, agora o cansaço tomava conta do corpo, havia andado muito.
Sentou em uma calçada, o pote do salzinho estava vazio, ficou ali olhando, satisfeita, mas ainda faltava alguma coisa, não sabia o que era.
Sentiu um braço envolver seu pescoço, um abraço carinhoso e sussurros no ouvido "agora eu cuido de você!"
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Cansaço
Sabe aquele cansaço que persiste em permanecer?
Eu queria removê-lo, mas é impossível.
Tem dias que eu quase nem o sinto,
mas tem dias que ele me toma por inteiro
se apossa do meu corpo,
domina minha mente,
e eu me sinto tão fraco,
tão fraco que chega dar pena.
Sabe aquela solidão no meio de uma multidão?
Eu queria não senti-la, mas é impossível.
Tem dias que eu nem a percebo,
Mas tem dias que ela se faz tão presente
Que me perturba o sono,
Que me faz inquieto,
Que me alucina,
Que disperta o desejo de me isolar.
O que eu faço de mim,
se todos os dias tudo parece estar pior
se eu sinto saudades daquilo que eu não tive,
se não encontro saída para minhas aflições?
O que eu sei, é que vivo assim faz tempo
e preciso deixar esta condição antes que enlouqueça.
E eu sei que estou só!
Eu queria removê-lo, mas é impossível.
Tem dias que eu quase nem o sinto,
mas tem dias que ele me toma por inteiro
se apossa do meu corpo,
domina minha mente,
e eu me sinto tão fraco,
tão fraco que chega dar pena.
Sabe aquela solidão no meio de uma multidão?
Eu queria não senti-la, mas é impossível.
Tem dias que eu nem a percebo,
Mas tem dias que ela se faz tão presente
Que me perturba o sono,
Que me faz inquieto,
Que me alucina,
Que disperta o desejo de me isolar.
O que eu faço de mim,
se todos os dias tudo parece estar pior
se eu sinto saudades daquilo que eu não tive,
se não encontro saída para minhas aflições?
O que eu sei, é que vivo assim faz tempo
e preciso deixar esta condição antes que enlouqueça.
E eu sei que estou só!
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
só pra mim
Quando olhei dentro dos teus olhos, buscava me encontrar.
Não obtive respostas às minhas angústias, aos meus devaneios, e o pior
me senti confuso, mais perdido do que já estava.
E agora o que faço comigo, e agora o que resta de mim,
se ao olhar nos seus olhos eu não me encontro mais
eu não me sinto seguro e nem em paz?
A certeza que tenho é que sempre estive sozinho
agora mais do que nunca, já que seus olhos não refletem mais minha imagem!
Não obtive respostas às minhas angústias, aos meus devaneios, e o pior
me senti confuso, mais perdido do que já estava.
E agora o que faço comigo, e agora o que resta de mim,
se ao olhar nos seus olhos eu não me encontro mais
eu não me sinto seguro e nem em paz?
A certeza que tenho é que sempre estive sozinho
agora mais do que nunca, já que seus olhos não refletem mais minha imagem!
Ahhhh
Quanto você pode aguentar?
Eu me pergunto isso todos os dias
Quanto eu posso aguentar,
Às vezes acho que não aguentaria muito,
Mas quando o dia termina
Percebo o quanto eu aguentei
E que ainda posso aguentar mais.
Acontece, que eu estou cansado
Eu não quero mais aguentar
Eu não quero mais...
Tudo é tão vazio,
E eu aqui cheio de tudo
E essa ansia que não passa,
E essa tristeza que não me larga
E esse frio que não some
E essa vontade cheia de desvontades!
Ahhhh eu só preciso de um tempo pra refletir!
Eu me pergunto isso todos os dias
Quanto eu posso aguentar,
Às vezes acho que não aguentaria muito,
Mas quando o dia termina
Percebo o quanto eu aguentei
E que ainda posso aguentar mais.
Acontece, que eu estou cansado
Eu não quero mais aguentar
Eu não quero mais...
Tudo é tão vazio,
E eu aqui cheio de tudo
E essa ansia que não passa,
E essa tristeza que não me larga
E esse frio que não some
E essa vontade cheia de desvontades!
Ahhhh eu só preciso de um tempo pra refletir!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
sem vontade
eu queria tanto
que quando tive perdi a vontade,
agora fico olhando sinto asco,
sinto vontade de jogar fora
arrancar de mim,
ahh se fosse tão fácil assim,
calçaria os chinelos e iria embora!
que quando tive perdi a vontade,
agora fico olhando sinto asco,
sinto vontade de jogar fora
arrancar de mim,
ahh se fosse tão fácil assim,
calçaria os chinelos e iria embora!
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Eu que já não sei mais sorrir
Já parou pra pensar no que se expressa ao sorrir?
Não sei bem o motivo, mas me veio isso na mente hoje, sabe quando, de repente você se pega pensando em algo e não sabe o que te levou a pensar aquilo? Bom é isso.
Ultimamente eu tenho sorrido pouco, tão pouco, quase nada.
E quando sorrio sinto que na maioria das vezes não é sincero.
Eu não quero isso pra mim, se for pra sorrir que seja espontâneo e sincero, se não for, prefiro não sorrir mais!
Não sei o que acontece, só sei que no peito a dor permanece, tem dias que dormindo, eu nem a sinto, mas tem dias que ela grita em meu peito, a ponto de me fazer insano.
Hoje é um desses dias, sabe quando tudo perde o sentido?
Eu sou obrigado a ser amável, a sorrir para os outros, quando a vontade que eu tenho é de...
de fugir, de sair de mim por uns instantes, de correr, correr pra longe, sem rumo, sem sentido, eu não sei quando isso começou, mas gostaria tanto de saber quando e como termina.
Eu não quero mostrar os dentes por mostrar, eu quero sorrir com alma, eu quero estar bem, eu quero me sentir bem.
Sorrir por sorrir só aumenta o vazio no peito.
Eu só queria saber o motivo pelo qual eu vivo assim.
Eu que já não sei mais sorrir, levo uma vida pacata, ensaiando sorrisos, pra que não me perguntem o motivo de minha tristeza.
Não sei bem o motivo, mas me veio isso na mente hoje, sabe quando, de repente você se pega pensando em algo e não sabe o que te levou a pensar aquilo? Bom é isso.
Ultimamente eu tenho sorrido pouco, tão pouco, quase nada.
E quando sorrio sinto que na maioria das vezes não é sincero.
Eu não quero isso pra mim, se for pra sorrir que seja espontâneo e sincero, se não for, prefiro não sorrir mais!
Não sei o que acontece, só sei que no peito a dor permanece, tem dias que dormindo, eu nem a sinto, mas tem dias que ela grita em meu peito, a ponto de me fazer insano.
Hoje é um desses dias, sabe quando tudo perde o sentido?
Eu sou obrigado a ser amável, a sorrir para os outros, quando a vontade que eu tenho é de...
de fugir, de sair de mim por uns instantes, de correr, correr pra longe, sem rumo, sem sentido, eu não sei quando isso começou, mas gostaria tanto de saber quando e como termina.
Eu não quero mostrar os dentes por mostrar, eu quero sorrir com alma, eu quero estar bem, eu quero me sentir bem.
Sorrir por sorrir só aumenta o vazio no peito.
Eu só queria saber o motivo pelo qual eu vivo assim.
Eu que já não sei mais sorrir, levo uma vida pacata, ensaiando sorrisos, pra que não me perguntem o motivo de minha tristeza.
domingo, 2 de agosto de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
grito de alerta
Eu enlouqueci, só pode ser isso, não é verdade?
Socorro, traga-me de volta à realidade.
O medo me consome,
A solidão me distrói
Eu nem sei mais
O que fazer
E essa vontade de fugir
Que não me sai do pensamento
O que está acontecendo comigo
Por que será que nada me faz bem?
Por que será que eu nao consigo me encontrar?
Por que eu me sinto tão mal?
Por que eu não encontro respostas?
O que me falta?
Eu não sei, eu juro que não sei,
Eu só preciso fugir
Fugir, talvez
Não resolva,
Mas no momento a fuga
Parece ser a solução
Eu não aguento mais
É por isso que eu disse que enlouqueci
Eu to tão perdido,
E essa dor que não passa,
Eu respiro fundo
É como se eu tivesse morrendo.
E ninguém percebe meu sofrimento.
Socorro, traga-me de volta à realidade.
O medo me consome,
A solidão me distrói
Eu nem sei mais
O que fazer
E essa vontade de fugir
Que não me sai do pensamento
O que está acontecendo comigo
Por que será que nada me faz bem?
Por que será que eu nao consigo me encontrar?
Por que eu me sinto tão mal?
Por que eu não encontro respostas?
O que me falta?
Eu não sei, eu juro que não sei,
Eu só preciso fugir
Fugir, talvez
Não resolva,
Mas no momento a fuga
Parece ser a solução
Eu não aguento mais
É por isso que eu disse que enlouqueci
Eu to tão perdido,
E essa dor que não passa,
Eu respiro fundo
É como se eu tivesse morrendo.
E ninguém percebe meu sofrimento.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
"Pode ser aqui?"- disse o rapaz apontando para a mesa.
"Sim, aqui está ótimo!"- disse a moça sorrindo.
Ele puxou a cadeira, ela sentou-se, logo em seguida ele sentou, o garçon veio os atender:
"O cardápio!"
O casal agradeceu, o garçon permaneceu ali, esperando o pedido.
"Eu quero o número 27, pra beber pode ser um suco de graviola." disse ela, o garçon tomava nota de tudo, o rapaz ainda estava indeciso, parecia um pouco nervoso, ela havia percebido tudo, mas fingiu que não percebera.
"Hmm, eu quero o número 15 e uma coca-cola." Finalmente ele havia decidido, o garçon anotou o pedido e retirou-se.
O rapaz estava vermelho, as mãos suavam, mal conseguia olhar nos olhos da moça, parecia que era uma desconhecida, mas ela se sentia totalmente segura.
"Está tudo bem?"- perguntou a moça.
"Sim, está"- ele disse, sem olhá-la nos olhos.
" Não sei, você parece diferente, não disse uma palavra até aqui, parece que está meio desajeitado, sinceramente não estou entendendo!"
O rapaz corou-se, as mãos tremiam tanto, ele não conseguia erguer a cabeça, mas percebia que os olhos dela estavam nele, finalmente o garçon chegou, ele se sentiu aliviado, abriu a coca-cola deu uma golada, a moça tomava calmamente o suco de graviola, mas logo rompeu com o silêncio.
"Tudo certo no serviço hoje?"
"Sim, tudo certo"
Ele ainda estava monossílabo, tremia ao segurar o sanduíche, a moça não sabia se insistia em uma conversa, ou se esperava que ele tomasse uma atitude e explicasse o que estava acontecendo.
Optou por não insistir, ela odiava conversas monossílabas, era como se estivessem dentro de um elevador, falando apenas pra não quebrar o canal.
O rapaz continuava na mesma, não falava nada, não olhava a moça nos olhos, de início ela se irritou, mas não deixou transparecer, começou a comer, quem sabe depois ele revelasse o motivo de estar naquele estado?
Os dois ali sentados naquela hamburgueria, comendo, silenciosamente, era estranho, sempre que saiam disputavam pra ver quem falava mais, pareciam dois tagarelas contando sobre seus dias, a faculdade, o curso, o trabalho, mas ali, pareciam dois desconhcidos obrigados a comer juntos, não por opção dela que ainda tentou estabelecer um diálogo, mas o rapaz estava tão nervoso, tão desavontade que ela preferiu não insitir.
Ele terminou o lanche primeiro que ela, deu um gole na coca-cola, alisava a toalha da mesa, continuava com os olhos abaixados, até que ergueu a cabeça, fitou-a por um instante.
"Tudo bem no serviço?"
Ela estranhou, olhou-o nos olhos, ele desviou o olhar.
"Sim, tranquilo, nada demais."
Ele tomou mais um gole do refrigerante, ela o observava, sem entender aquela situação.
"Olha Rick, sinceramente eu não sei o que está acontecendo, você me traz aqui, a gente faz um lanche, você mal consegue me olhar, não disse uma palavra se quer, parece até que você acabou de me conhecer, o que está acontecendo hein?!"
O rapaz não sabia por onde começar, percebeu que a moça estava impaciente e nervosa, sempre que ficava nervosa franzia a testa, era impressionante como ele a conhecia, começou a rir.
" Do que você está rindo?!"
"Você, franziu a testa, está nervosa e impaciente"
"Nao estou nervosa, só acho esta situação muito esquisita, sei lá estou com a impressão de que você quer me falar alguma coisa, espero que não seja nada ruim!" a voz dela já está mais suave.
"É, eu quero mesmo te falar algo, mas não sei como começar."
"Como não sabe como começar?! Dãããr, comece pelo começo ué?!" Ela sorriu!
Gente como ele adorava aquele sorriso, viajou por um instante, lembrou de quando se conheceram, foi amor ao primeiro sorriso, sim, o sorriso e os olhos foram o que mais lhe chamou a atenção e quando...
"Hey, Rick, fala logo, para de enrolar!" Ela o trouxe de volta à realidade.
"Hmm, eu sei que devo começar pelo começo, isto é óbvio, o problema é que eu não sei como tocar em assunto tão delicado sabe?!" Disse ele olhando-a nos olhos, ela colocou as mãos sobre as dele, ficaram se olhando por alguns instantes.
"O que foi, pode falar, a gente sempre contou tudo um pro outro não é mesmo?! Antes de namorados somos amigos, pode falar o que está acontecendo?!"
As mãos continuavam entrelaçadas, ele estava mais seguro, era impressioante como se sentia bem ao lado dela, respirou fundo e foi dizendo meio sem jeito.
"Então né, a gente já tá junto há um ano e meio né?! Passa rápido não é mesmo?!"
" É mesmo passou rápido, eu ainda lembro do dia em que nos conhecemos, mas o que você quer me dizer?!" Ela tentava conter a curiosidade, mas estava difícil, as mãos dele estavam geladas, as buchechas vermelhas, o coração quase saindo pela boca.
"Pois é eu também me lembro, você estava com mais duas amigas, assim que eu lancei os olhos em você eu me apaixonei e o me..."
"Não foi pra recordar o dia em que nos conhecemos que você me trouxe aqui não é mesmo?! O que você quer me dizer Henrique, chega rodeio, fala logo, daqui a pouco escurece, a gente tem que ir embora, prometi que chegava cedo em casa hoje!"
Ele percebeu que não tinha mais como voltar atrás, era notável toda impaciência, quando ela o chamava pelo nome era porque a coisa estava feia, então ele respirou fundo e foi logo dizendo...
" Ahh Mel, eu não quero te forçar a nada, mas, é que a gente já namora há um ano e meio e até agora nada, você me entende?!"
Ela puxou as mãos e lançou o olhar para a mesa, não disse nada, era a primeira vez que ele a via sem saída, para tudo o que ele dizia ela tinha uma resposta, mas desta vez parecia um passarinho perdido do ninho, aproveitou que estava por cima da situação e continuou..
"Poxa, Mel, eu te amo tanto, mas é difícil pow, tenho meus hormônios, eu chego perto de você, começo a te beijar quando a coisa começa a esquentar, você escapa, parece que joga um balde de água fria em mim, e como eu fico?!"
Ela continuava calada, não conseguia olhá-lo, isto a irritava pronfundamente, agora era ela quem estava sem palavras, o rapaz prosseguia.
"Eu sei que a gente já tinha conversado sobre isso, e que eu disse que esperaria seu momento, mas eu tenho medo deste momento nunca chegar e eu..."
Ela levantou a cabeça, ele parou de falar, os dois se olharam, ela desviou o olhar primeiro, respirou fundo e começou a falar.
"É a gente já tinha conversado sobre isso!"
O rapaz se sentiu mal, percebeu o quanto a conversa tinha desagradado a namorada, o quanto a tinha deixado sem jeito, logo em seguida veio o arrependimento, ele a amava tanto, eles se davam tão bem, ele estava sendo estúpido ao cobrá-la, pegou nas mãos da moça, desta vez ela o encarava, parecia que tinha tomado uma injeção de coragem, por dentro o corpo tremia, mas ela mantinha o olhar fixo.
"Mel, desculpa, desculpa, realmente a gente tinha conversado sobre isso e eu aqui te cobrando eu não tinha este direito, desculpa amor."
Ela não dizia nada, o que aumentava ainda mais o sentimento de culpa do namorado, que implorava pelo perdão, continuava olhando para ele, buscava palavras, mas estas não vinham, parecia que tinham se perdido por sua garganta e agora não queriam sair, ela tomou o último gole do suco de graviola, uma mão ainda estava presa a mão dele, ela franziu a testa, respirou fundo, ele acompanhava cada expressão do seu rosto, buscava por respostas, mas não conseguia decifrar.
"Não precisa se desculpar Rick, eu sei bem como você se sente, imagino que não deve ser nada fácil pra você estar há um ano e meio sem, você sabe o que, mas é difícil pra mim também, ainda mais eu que sou, você sabe o que, é muito difícil, tenho as minhas vontades também, principalmente quando você me abraça, beija o meu pescoço, mexe nos meus cabelos, enfim, eu não tenho dúvidas de que você é o cara certo, se é que existe mesmo esta de história de achar a pesssoa certa, mas eu não sei o que acontece comigo, eu, eu tenho medo, um medo, que eu sei bem do que, mas sei lá, o medo é mais forte que eu, daí eu não aguento e me bloqueio."
Agora era ele quem a olhava, os olhos estavam tão aflitos, ela já não sorria, as rugas ainda enfeitavam a testa, ele estava arrependido, como fora idiota em falar tudo aquilo, se sentia tao mal por vê-la naquela situação desconcertante se pudesse voltar atrás, a moça continuou...
"Olha Rick, acho que eu é quem lhe deve desculpas, eu te amo, amo mesmo, você sabe disso, mas eu não sei se estou preparada você me entende?! Então eu é quem não quero te obrigar a nada, eu é quem não quero te obrigar a permanecer neste relacioamento imcompleto!" - ela disfarçou um sorriso, só ela sabia o quanto era doloroso dizer tudo aquilo, era como se estivesse abrindo mão do seu amor, o rapaz, entrou em desespero.
"Eu te entendo, desculpa Mel, nossa como eu sou idiota, se eu pudesse voltar atrás, eu te espero, espero, espero o tempo que for possível, eu te amo, me perdoa, eu prometo que não toco mais neste assunto!" - o rapaz morria de medo que a moça terminasse o relacionamento, ele já havia namorado antes, mas com ela era diferente, ele estava feliz, nunca tinha se sentido tão bem, porém sentia falta do sexo, a moça percebeu o desespero do rapaz, naquele momento viu o quanto a amava, durante todo o relacionamento, nunca tinha faltado com respeito, sempre fora carinhoso e o principal amigo, de repente foi tomada por um sentimento de culpa, sentia que o rapaz estava certo em combrá-la, já estavam juntos há quase dois anos, até quando ela não se sentiria segura? Se continuasse daquele jeito poderia peder o amor de Henrique, perder tudo o que haviam construído juntos!
O rapaz a olhava, percebera logo que ela estava longe, novamente tentava buscar resposta em seu rosto, mas não conseguia, ela não transparecia o que pensava, contribuindo mais para a aflição do rapaz, até que a moça olhou o relógio, o sol já começara a se pôr.
"Vamos embora?!"
Henrique pagou a conta e os dois sairam da hamburgueria, no caminho ela ia pensativa, ele não ousou dizer uma palavra, depois de tudo o que tinha dito, achou que se dissesse mais alguma palavra que fosse estragaria mais a situação, caminharam até a casa dela, quando chegaram até o portão, ele não sabia se a beijava, se pedia desculpas, ficaram se olhando por alguns segundos, até que ele não aguentou...
"Mel, mais uma vez desculpa, desculpa, eu não tinha nad..."
Ela o agarrou e o beijou, impedindo que ele continuasse a falar, ficaram ali, trocando beijos e carícias por um bom tempo.
"Agora eu tenho que entrar!" Ela disse sorrindo, já anoitecera, mas a lua iluminava os rostos e ele notou que a ruguinha da testa já havia desaparecido, sinal de que já estava tudo bem, mas ele ainda se sentia culpado.
"Tabom, mas Mel, me descul..." Ela colocou a mão nos lábios dele, deu um beijo rápido.
"Hey, já disse que não precisa se desculpar deixe de bobagem!" Deu outro beijo, desta vez demorou mais.
"Nos vemos amanhã?!"
" Sim, te pego no curso!"
Ela se despediu e entrou, ele estava mais aliviado, ainda bem que tudo tinha se resolvido, percebeu que tinha a "mulher ideal", e prometera pra sim mesmo que por mais forte que fossem seus hormônios se controlaria para nunca mais acontecer o que havia acontecido hoje, esperaria por ela o quanto fosse preciso.
"Por ela vale a pena!" Disse para si mesmo, caminhando em sentido a sua casa, assobiava She love's you dos Beatles.
"Sim, aqui está ótimo!"- disse a moça sorrindo.
Ele puxou a cadeira, ela sentou-se, logo em seguida ele sentou, o garçon veio os atender:
"O cardápio!"
O casal agradeceu, o garçon permaneceu ali, esperando o pedido.
"Eu quero o número 27, pra beber pode ser um suco de graviola." disse ela, o garçon tomava nota de tudo, o rapaz ainda estava indeciso, parecia um pouco nervoso, ela havia percebido tudo, mas fingiu que não percebera.
"Hmm, eu quero o número 15 e uma coca-cola." Finalmente ele havia decidido, o garçon anotou o pedido e retirou-se.
O rapaz estava vermelho, as mãos suavam, mal conseguia olhar nos olhos da moça, parecia que era uma desconhecida, mas ela se sentia totalmente segura.
"Está tudo bem?"- perguntou a moça.
"Sim, está"- ele disse, sem olhá-la nos olhos.
" Não sei, você parece diferente, não disse uma palavra até aqui, parece que está meio desajeitado, sinceramente não estou entendendo!"
O rapaz corou-se, as mãos tremiam tanto, ele não conseguia erguer a cabeça, mas percebia que os olhos dela estavam nele, finalmente o garçon chegou, ele se sentiu aliviado, abriu a coca-cola deu uma golada, a moça tomava calmamente o suco de graviola, mas logo rompeu com o silêncio.
"Tudo certo no serviço hoje?"
"Sim, tudo certo"
Ele ainda estava monossílabo, tremia ao segurar o sanduíche, a moça não sabia se insistia em uma conversa, ou se esperava que ele tomasse uma atitude e explicasse o que estava acontecendo.
Optou por não insistir, ela odiava conversas monossílabas, era como se estivessem dentro de um elevador, falando apenas pra não quebrar o canal.
O rapaz continuava na mesma, não falava nada, não olhava a moça nos olhos, de início ela se irritou, mas não deixou transparecer, começou a comer, quem sabe depois ele revelasse o motivo de estar naquele estado?
Os dois ali sentados naquela hamburgueria, comendo, silenciosamente, era estranho, sempre que saiam disputavam pra ver quem falava mais, pareciam dois tagarelas contando sobre seus dias, a faculdade, o curso, o trabalho, mas ali, pareciam dois desconhcidos obrigados a comer juntos, não por opção dela que ainda tentou estabelecer um diálogo, mas o rapaz estava tão nervoso, tão desavontade que ela preferiu não insitir.
Ele terminou o lanche primeiro que ela, deu um gole na coca-cola, alisava a toalha da mesa, continuava com os olhos abaixados, até que ergueu a cabeça, fitou-a por um instante.
"Tudo bem no serviço?"
Ela estranhou, olhou-o nos olhos, ele desviou o olhar.
"Sim, tranquilo, nada demais."
Ele tomou mais um gole do refrigerante, ela o observava, sem entender aquela situação.
"Olha Rick, sinceramente eu não sei o que está acontecendo, você me traz aqui, a gente faz um lanche, você mal consegue me olhar, não disse uma palavra se quer, parece até que você acabou de me conhecer, o que está acontecendo hein?!"
O rapaz não sabia por onde começar, percebeu que a moça estava impaciente e nervosa, sempre que ficava nervosa franzia a testa, era impressionante como ele a conhecia, começou a rir.
" Do que você está rindo?!"
"Você, franziu a testa, está nervosa e impaciente"
"Nao estou nervosa, só acho esta situação muito esquisita, sei lá estou com a impressão de que você quer me falar alguma coisa, espero que não seja nada ruim!" a voz dela já está mais suave.
"É, eu quero mesmo te falar algo, mas não sei como começar."
"Como não sabe como começar?! Dãããr, comece pelo começo ué?!" Ela sorriu!
Gente como ele adorava aquele sorriso, viajou por um instante, lembrou de quando se conheceram, foi amor ao primeiro sorriso, sim, o sorriso e os olhos foram o que mais lhe chamou a atenção e quando...
"Hey, Rick, fala logo, para de enrolar!" Ela o trouxe de volta à realidade.
"Hmm, eu sei que devo começar pelo começo, isto é óbvio, o problema é que eu não sei como tocar em assunto tão delicado sabe?!" Disse ele olhando-a nos olhos, ela colocou as mãos sobre as dele, ficaram se olhando por alguns instantes.
"O que foi, pode falar, a gente sempre contou tudo um pro outro não é mesmo?! Antes de namorados somos amigos, pode falar o que está acontecendo?!"
As mãos continuavam entrelaçadas, ele estava mais seguro, era impressioante como se sentia bem ao lado dela, respirou fundo e foi dizendo meio sem jeito.
"Então né, a gente já tá junto há um ano e meio né?! Passa rápido não é mesmo?!"
" É mesmo passou rápido, eu ainda lembro do dia em que nos conhecemos, mas o que você quer me dizer?!" Ela tentava conter a curiosidade, mas estava difícil, as mãos dele estavam geladas, as buchechas vermelhas, o coração quase saindo pela boca.
"Pois é eu também me lembro, você estava com mais duas amigas, assim que eu lancei os olhos em você eu me apaixonei e o me..."
"Não foi pra recordar o dia em que nos conhecemos que você me trouxe aqui não é mesmo?! O que você quer me dizer Henrique, chega rodeio, fala logo, daqui a pouco escurece, a gente tem que ir embora, prometi que chegava cedo em casa hoje!"
Ele percebeu que não tinha mais como voltar atrás, era notável toda impaciência, quando ela o chamava pelo nome era porque a coisa estava feia, então ele respirou fundo e foi logo dizendo...
" Ahh Mel, eu não quero te forçar a nada, mas, é que a gente já namora há um ano e meio e até agora nada, você me entende?!"
Ela puxou as mãos e lançou o olhar para a mesa, não disse nada, era a primeira vez que ele a via sem saída, para tudo o que ele dizia ela tinha uma resposta, mas desta vez parecia um passarinho perdido do ninho, aproveitou que estava por cima da situação e continuou..
"Poxa, Mel, eu te amo tanto, mas é difícil pow, tenho meus hormônios, eu chego perto de você, começo a te beijar quando a coisa começa a esquentar, você escapa, parece que joga um balde de água fria em mim, e como eu fico?!"
Ela continuava calada, não conseguia olhá-lo, isto a irritava pronfundamente, agora era ela quem estava sem palavras, o rapaz prosseguia.
"Eu sei que a gente já tinha conversado sobre isso, e que eu disse que esperaria seu momento, mas eu tenho medo deste momento nunca chegar e eu..."
Ela levantou a cabeça, ele parou de falar, os dois se olharam, ela desviou o olhar primeiro, respirou fundo e começou a falar.
"É a gente já tinha conversado sobre isso!"
O rapaz se sentiu mal, percebeu o quanto a conversa tinha desagradado a namorada, o quanto a tinha deixado sem jeito, logo em seguida veio o arrependimento, ele a amava tanto, eles se davam tão bem, ele estava sendo estúpido ao cobrá-la, pegou nas mãos da moça, desta vez ela o encarava, parecia que tinha tomado uma injeção de coragem, por dentro o corpo tremia, mas ela mantinha o olhar fixo.
"Mel, desculpa, desculpa, realmente a gente tinha conversado sobre isso e eu aqui te cobrando eu não tinha este direito, desculpa amor."
Ela não dizia nada, o que aumentava ainda mais o sentimento de culpa do namorado, que implorava pelo perdão, continuava olhando para ele, buscava palavras, mas estas não vinham, parecia que tinham se perdido por sua garganta e agora não queriam sair, ela tomou o último gole do suco de graviola, uma mão ainda estava presa a mão dele, ela franziu a testa, respirou fundo, ele acompanhava cada expressão do seu rosto, buscava por respostas, mas não conseguia decifrar.
"Não precisa se desculpar Rick, eu sei bem como você se sente, imagino que não deve ser nada fácil pra você estar há um ano e meio sem, você sabe o que, mas é difícil pra mim também, ainda mais eu que sou, você sabe o que, é muito difícil, tenho as minhas vontades também, principalmente quando você me abraça, beija o meu pescoço, mexe nos meus cabelos, enfim, eu não tenho dúvidas de que você é o cara certo, se é que existe mesmo esta de história de achar a pesssoa certa, mas eu não sei o que acontece comigo, eu, eu tenho medo, um medo, que eu sei bem do que, mas sei lá, o medo é mais forte que eu, daí eu não aguento e me bloqueio."
Agora era ele quem a olhava, os olhos estavam tão aflitos, ela já não sorria, as rugas ainda enfeitavam a testa, ele estava arrependido, como fora idiota em falar tudo aquilo, se sentia tao mal por vê-la naquela situação desconcertante se pudesse voltar atrás, a moça continuou...
"Olha Rick, acho que eu é quem lhe deve desculpas, eu te amo, amo mesmo, você sabe disso, mas eu não sei se estou preparada você me entende?! Então eu é quem não quero te obrigar a nada, eu é quem não quero te obrigar a permanecer neste relacioamento imcompleto!" - ela disfarçou um sorriso, só ela sabia o quanto era doloroso dizer tudo aquilo, era como se estivesse abrindo mão do seu amor, o rapaz, entrou em desespero.
"Eu te entendo, desculpa Mel, nossa como eu sou idiota, se eu pudesse voltar atrás, eu te espero, espero, espero o tempo que for possível, eu te amo, me perdoa, eu prometo que não toco mais neste assunto!" - o rapaz morria de medo que a moça terminasse o relacionamento, ele já havia namorado antes, mas com ela era diferente, ele estava feliz, nunca tinha se sentido tão bem, porém sentia falta do sexo, a moça percebeu o desespero do rapaz, naquele momento viu o quanto a amava, durante todo o relacionamento, nunca tinha faltado com respeito, sempre fora carinhoso e o principal amigo, de repente foi tomada por um sentimento de culpa, sentia que o rapaz estava certo em combrá-la, já estavam juntos há quase dois anos, até quando ela não se sentiria segura? Se continuasse daquele jeito poderia peder o amor de Henrique, perder tudo o que haviam construído juntos!
O rapaz a olhava, percebera logo que ela estava longe, novamente tentava buscar resposta em seu rosto, mas não conseguia, ela não transparecia o que pensava, contribuindo mais para a aflição do rapaz, até que a moça olhou o relógio, o sol já começara a se pôr.
"Vamos embora?!"
Henrique pagou a conta e os dois sairam da hamburgueria, no caminho ela ia pensativa, ele não ousou dizer uma palavra, depois de tudo o que tinha dito, achou que se dissesse mais alguma palavra que fosse estragaria mais a situação, caminharam até a casa dela, quando chegaram até o portão, ele não sabia se a beijava, se pedia desculpas, ficaram se olhando por alguns segundos, até que ele não aguentou...
"Mel, mais uma vez desculpa, desculpa, eu não tinha nad..."
Ela o agarrou e o beijou, impedindo que ele continuasse a falar, ficaram ali, trocando beijos e carícias por um bom tempo.
"Agora eu tenho que entrar!" Ela disse sorrindo, já anoitecera, mas a lua iluminava os rostos e ele notou que a ruguinha da testa já havia desaparecido, sinal de que já estava tudo bem, mas ele ainda se sentia culpado.
"Tabom, mas Mel, me descul..." Ela colocou a mão nos lábios dele, deu um beijo rápido.
"Hey, já disse que não precisa se desculpar deixe de bobagem!" Deu outro beijo, desta vez demorou mais.
"Nos vemos amanhã?!"
" Sim, te pego no curso!"
Ela se despediu e entrou, ele estava mais aliviado, ainda bem que tudo tinha se resolvido, percebeu que tinha a "mulher ideal", e prometera pra sim mesmo que por mais forte que fossem seus hormônios se controlaria para nunca mais acontecer o que havia acontecido hoje, esperaria por ela o quanto fosse preciso.
"Por ela vale a pena!" Disse para si mesmo, caminhando em sentido a sua casa, assobiava She love's you dos Beatles.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Quem está ao seu lado?
Já parou pra pensar em quem está ao seu lado? Eu não parava, nunca tinha parado, até no dia em que me encontrei sozinho, sem ninguém, você tem noção de como é isso?! Acho que não, se tivesse, saberia o quão é desesperador.
Eu achava que tinha amigos, que podia contar com eles em todos os momentos, que eles me ouviam, me davam atenção, me apoiavam, e que estaríamos juntos sempre, mas eu não sei o que aconteceu, de uns tempos pra cá eu ando vendo tudo diferente isto é porque ainda nem comprei meus óculos, a sensação que tenho é que desvendaram meus olhos e agora eu posso enxergar que ninguém nunca esteve ao meu lado, que eu sempre caminhei sozinho, isso é tão ruim, é uma dor indescritível, eu estou me sentindo tão mal, mas tão mal que eu nem sei dizer o quanto, é horrível você acordar e perceber que está sozinho.
A vida perde o sentido. Tudo aquilo que você acredita parece que voou pra longe, ou simplesmente você percebe que era tudo mentira, mentiras como aquelas que contam às crianças quando fazem perguntas indiscretas, mentiras, mentiras, é por isso que se sente a dor, a dor de ser enganado, gente que horrível!
Desde uns tempos aí, eu não me lembro quando exatamente, mas eu adotei a empatia, sofri muito e por isso antes de qualquer atitude tomada jurei a mim mesmo que me colocaria no lugar dos outros, mas depois que eu acordei, pra que me colocar no lugar dos outros se eles não se colocaram no meu lugar e me machucaram? E daí, eu tinha que fazer a diferença, mas este papo de fazer a diferença quando é você quem está ferido não funciona, não funciona mesmo!
"De agora em diante eu só vou gostar de quem gosta de mim..." é o que diz na letra da música de Caetano, mas no meu caso não há de quem gostar, como eu disse de antemão eu acordei e percebi que estava sozinho, na realidade eu sempre estive sozinho, só que não percebia devido as máscaras usadas por aqueles que se diziam estar ao meu lado, quando eu consegui arrancá-las, notei que não haviam rostos, não haviam pessoas por de trás, eram simplesmente máscaras sem donos, não havia pra quem contar um segredo, não havia alguém pra chorar abraçado, não havia quem segurasse minha mão, não havia quem sorrisse das besteiras que eu falo, não havia quem me olhasse com ternura. E agora o que eu faço, fujo?! Pra onde?! Como é ruim ser forçado, eu já nem espero milagres, deixei de acreditar faz tempo, eu já perdi o chão, nem sei o que me mantém em pé, olho para as máscaras e sinto asco, eu preciso voltar a acreditar, eu preciso de mim, se você me encontrar vagando por aí, traga-me de volta eu preciso me encontrar.
Eu achava que tinha amigos, que podia contar com eles em todos os momentos, que eles me ouviam, me davam atenção, me apoiavam, e que estaríamos juntos sempre, mas eu não sei o que aconteceu, de uns tempos pra cá eu ando vendo tudo diferente isto é porque ainda nem comprei meus óculos, a sensação que tenho é que desvendaram meus olhos e agora eu posso enxergar que ninguém nunca esteve ao meu lado, que eu sempre caminhei sozinho, isso é tão ruim, é uma dor indescritível, eu estou me sentindo tão mal, mas tão mal que eu nem sei dizer o quanto, é horrível você acordar e perceber que está sozinho.
A vida perde o sentido. Tudo aquilo que você acredita parece que voou pra longe, ou simplesmente você percebe que era tudo mentira, mentiras como aquelas que contam às crianças quando fazem perguntas indiscretas, mentiras, mentiras, é por isso que se sente a dor, a dor de ser enganado, gente que horrível!
Desde uns tempos aí, eu não me lembro quando exatamente, mas eu adotei a empatia, sofri muito e por isso antes de qualquer atitude tomada jurei a mim mesmo que me colocaria no lugar dos outros, mas depois que eu acordei, pra que me colocar no lugar dos outros se eles não se colocaram no meu lugar e me machucaram? E daí, eu tinha que fazer a diferença, mas este papo de fazer a diferença quando é você quem está ferido não funciona, não funciona mesmo!
"De agora em diante eu só vou gostar de quem gosta de mim..." é o que diz na letra da música de Caetano, mas no meu caso não há de quem gostar, como eu disse de antemão eu acordei e percebi que estava sozinho, na realidade eu sempre estive sozinho, só que não percebia devido as máscaras usadas por aqueles que se diziam estar ao meu lado, quando eu consegui arrancá-las, notei que não haviam rostos, não haviam pessoas por de trás, eram simplesmente máscaras sem donos, não havia pra quem contar um segredo, não havia alguém pra chorar abraçado, não havia quem segurasse minha mão, não havia quem sorrisse das besteiras que eu falo, não havia quem me olhasse com ternura. E agora o que eu faço, fujo?! Pra onde?! Como é ruim ser forçado, eu já nem espero milagres, deixei de acreditar faz tempo, eu já perdi o chão, nem sei o que me mantém em pé, olho para as máscaras e sinto asco, eu preciso voltar a acreditar, eu preciso de mim, se você me encontrar vagando por aí, traga-me de volta eu preciso me encontrar.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Sem sentido
Tapei meus olhos,
chega, eu não quero mais ver isto,
não quero mais presenciar nada,
está todo mundo louco,
ou foi eu quem enlouqueci.
Eu me sinto perdido,
perdido no meio do nada
estou com medo,
procuro a saída,
mas não encontro.
Não fala comigo
você vai me contagiar
eu não quero participar
do seu mundo hostil.
O desespero me consome,
eu não sei o que fazer.
Eu tapei meus olhos,
mas a escuridão é desesperadora,
chega, eu preciso acordar
será que é um pesadêlo?!
Se for, chega, pode me acordar
eu já estou asssustado,
muito assustado.
Isso não é a realidade,
fala que é tudo brincadeira
e que vocês só queriam me pregar uma peça?!
Eu não quero enxergar, eu não quero participar
eu estou com medo
eu não quero ser contagiado,
por favor acordem,
já que eu não durmo
acordem, acordem, acordem
vamos viver bem,
acordem, acordem, acordem
eu estou enlouquecendo,
por favor não deixem que isto aconteça!
Eu quero fugir, me soltem, socorro
eu grito, mas ninguém me escuta
estão todos sob o efeito da anestesia
por favor acordem, mexam-se,
pronto eu confesso vocês conseguiram me assustar,
mas por favor voltem ao normal,
é muita crueldade, eu já não estou aguentando
Soltem-me, acordem,
não é possível que vocês não estão enxergando?!
O desespero tomou conta de mim,
o cansaço é maior
vocês não se mexem, aceitam tudo
gozam do que lhes é imposto
eu não aguento e grito,
imploro, choro,
mas não obtenho resultados
o corpo amolece e eu fui anestesiado,
quando dou por mim, percebo que durmo
durmo como todos aqueles que tentava acordar.
chega, eu não quero mais ver isto,
não quero mais presenciar nada,
está todo mundo louco,
ou foi eu quem enlouqueci.
Eu me sinto perdido,
perdido no meio do nada
estou com medo,
procuro a saída,
mas não encontro.
Não fala comigo
você vai me contagiar
eu não quero participar
do seu mundo hostil.
O desespero me consome,
eu não sei o que fazer.
Eu tapei meus olhos,
mas a escuridão é desesperadora,
chega, eu preciso acordar
será que é um pesadêlo?!
Se for, chega, pode me acordar
eu já estou asssustado,
muito assustado.
Isso não é a realidade,
fala que é tudo brincadeira
e que vocês só queriam me pregar uma peça?!
Eu não quero enxergar, eu não quero participar
eu estou com medo
eu não quero ser contagiado,
por favor acordem,
já que eu não durmo
acordem, acordem, acordem
vamos viver bem,
acordem, acordem, acordem
eu estou enlouquecendo,
por favor não deixem que isto aconteça!
Eu quero fugir, me soltem, socorro
eu grito, mas ninguém me escuta
estão todos sob o efeito da anestesia
por favor acordem, mexam-se,
pronto eu confesso vocês conseguiram me assustar,
mas por favor voltem ao normal,
é muita crueldade, eu já não estou aguentando
Soltem-me, acordem,
não é possível que vocês não estão enxergando?!
O desespero tomou conta de mim,
o cansaço é maior
vocês não se mexem, aceitam tudo
gozam do que lhes é imposto
eu não aguento e grito,
imploro, choro,
mas não obtenho resultados
o corpo amolece e eu fui anestesiado,
quando dou por mim, percebo que durmo
durmo como todos aqueles que tentava acordar.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Lição de ônibus
Licença, obrigada.
Licença, obrigada.
Licença, obrigada.
Licença, obrigada.
Licença, obrigada.
Ufa, pensei que não chegaria aqui. Suspiro aliviado.
Senhor: Quer que eu segure sua bolsa?
Ela: Sim, muito obrigada!
Ajustou os fones nos ouvidos e ligou o seu MP, sei lá o que, hoje são tantos, que é quase impossível distinguir o 3 do 4 do 5 do 9 ou sei lá até que número vai, prova do nosso mundão globalizado.
Ela ouvia Boys don't cry do Cure, e começou viajar, era como se não estivesse ali, naquele ônibus lotado, sendo amassada, empurrada e tudo mais que se pode acontecer dentro de um ônibus cheio.
Lembrou do antigo namorado, da tatuagem que fizeram, das juras de amor, dos momentos mais marcantes, de descer a serra de moto, que emoção!
Fechou os olhos, parecia que estava vivenciando tudo aquilo novamente.
Suas mãos agarrando a cintura dele, os cabelos fora do capacete voavam com o vento forte, que deliciosa sensação de liberdade!
Se bem que no começo ela teve medo, mas ele a beijou de uma form...
Senhor: Moça?! Tá tudo bem?!
Ela voltou à realidade e respondeu seca: Sim.
Senhor: É que cê tava cum zóio fechado, fazeno cara e boca, que eu achei que num tava bem não viu?!
Ela sorriu sem graça. Ele retribuiu o sorriso, os dois se calaram, a música agora era I want hold your hand, dos Beatles, mas ela voltou ao Cure, queria sentir toda aquela sensação novamente.
Desta vez não fechou os olhos.
Ela: Aonde eu parei mesmo?! - Falou para si. Ahh, no beijo, e que beijo.
O beijo que passou segurança, era impressionante como ele sabia acalmá-la, como se davam tão bem, se comunicavam através de olhares, adivinhavam pensamentos, e do nada tudo acabou. Tudo acabou, ela sentia falta.
Ergueu a manga da blusa, e ficou olhando pra tatuagem, não teve coragem de apagar ou fazer outro desenho em cima, o símbolo da eternidade ainda estava lá, não tinha como não olhar para a tatuagem e não se lembrar de todas as histórias que viveram juntos, inclusive quando se conhceram...vagou lugar ao lado do Senhor, ela sentou-se, pegou sua bolsa e agradeceu.
Senhor: Por nada, sabe moça cê me lembra alguém!
Ela olhou espantada, mas não disse nada, sorriu, não tinha interesse de iniciar uma conversa, mas o senhor insitia.
Senhor: não sei bem, se são seus zóios, mas cê me lembra alguém, esses zóio triste sabe? cê ta triste o eles são assim memo?
Ela suspirou, e disse: São assim mesmo! Pensando no tamanho atrevimento do senhor.
Senhor: Acredito que não viu?! Alguma coisa contribuiu pra essa tristeza toda não?! Sabe moça, a vida muito curta sabe, eu já perdi tanta coisa, por causa do meu orguio bobo, fui idiota, se pudesse consertar faria tudo diferente.
Ela não deixou que ele percebesse que estava interessada em sua filosofia, ele continuou, ela ouvia tudo com cara de descaso.
Senhor: Moça, agora a gente tá qui, daqui um poco a gente num sabe se tá ou não, é compricada essa vida nossa não?! Com todo respeito cê é muito linda, só o que estraga, são esses zóios tristes, aposto que eles já foram felizes.
Parou por um instante, ela ficou refletindo, depois da separação a vida tinha perdido a graça, ele continuou...
Senhor: A urtima coisa Moça, perde tempo não?! Devova a aligria de volta a seus zóio. Agora eu vo desce, tchau, pense no que eu disse.
Ela pensou, tudo fazia sentido, a separação tinha sido por culpa dela, mas lembrou que pediu pra voltar, mas ele já não a queria mais, já tinha feito outra tatuagem no local da deles, e seguiu seu rumo.
Como é que poderia correr atrás de uma alegria que a evitava?
Tirou os fones das orelhas, talvez ela deveria seguir seu rumo também, mas será que a felicidade não era ao lado dele? Todos os momentos não significaram nada?
Uma lágrima molhou o rosto, ela a secou rapidamente.
Senhora: Tá tudo bem?
Ela: Sim, está.
Levantou e desceu antes que ouvisse mais uma filosofia de vida.
Licença, obrigada.
Licença, obrigada.
Licença, obrigada.
Licença, obrigada.
Ufa, pensei que não chegaria aqui. Suspiro aliviado.
Senhor: Quer que eu segure sua bolsa?
Ela: Sim, muito obrigada!
Ajustou os fones nos ouvidos e ligou o seu MP, sei lá o que, hoje são tantos, que é quase impossível distinguir o 3 do 4 do 5 do 9 ou sei lá até que número vai, prova do nosso mundão globalizado.
Ela ouvia Boys don't cry do Cure, e começou viajar, era como se não estivesse ali, naquele ônibus lotado, sendo amassada, empurrada e tudo mais que se pode acontecer dentro de um ônibus cheio.
Lembrou do antigo namorado, da tatuagem que fizeram, das juras de amor, dos momentos mais marcantes, de descer a serra de moto, que emoção!
Fechou os olhos, parecia que estava vivenciando tudo aquilo novamente.
Suas mãos agarrando a cintura dele, os cabelos fora do capacete voavam com o vento forte, que deliciosa sensação de liberdade!
Se bem que no começo ela teve medo, mas ele a beijou de uma form...
Senhor: Moça?! Tá tudo bem?!
Ela voltou à realidade e respondeu seca: Sim.
Senhor: É que cê tava cum zóio fechado, fazeno cara e boca, que eu achei que num tava bem não viu?!
Ela sorriu sem graça. Ele retribuiu o sorriso, os dois se calaram, a música agora era I want hold your hand, dos Beatles, mas ela voltou ao Cure, queria sentir toda aquela sensação novamente.
Desta vez não fechou os olhos.
Ela: Aonde eu parei mesmo?! - Falou para si. Ahh, no beijo, e que beijo.
O beijo que passou segurança, era impressionante como ele sabia acalmá-la, como se davam tão bem, se comunicavam através de olhares, adivinhavam pensamentos, e do nada tudo acabou. Tudo acabou, ela sentia falta.
Ergueu a manga da blusa, e ficou olhando pra tatuagem, não teve coragem de apagar ou fazer outro desenho em cima, o símbolo da eternidade ainda estava lá, não tinha como não olhar para a tatuagem e não se lembrar de todas as histórias que viveram juntos, inclusive quando se conhceram...vagou lugar ao lado do Senhor, ela sentou-se, pegou sua bolsa e agradeceu.
Senhor: Por nada, sabe moça cê me lembra alguém!
Ela olhou espantada, mas não disse nada, sorriu, não tinha interesse de iniciar uma conversa, mas o senhor insitia.
Senhor: não sei bem, se são seus zóios, mas cê me lembra alguém, esses zóio triste sabe? cê ta triste o eles são assim memo?
Ela suspirou, e disse: São assim mesmo! Pensando no tamanho atrevimento do senhor.
Senhor: Acredito que não viu?! Alguma coisa contribuiu pra essa tristeza toda não?! Sabe moça, a vida muito curta sabe, eu já perdi tanta coisa, por causa do meu orguio bobo, fui idiota, se pudesse consertar faria tudo diferente.
Ela não deixou que ele percebesse que estava interessada em sua filosofia, ele continuou, ela ouvia tudo com cara de descaso.
Senhor: Moça, agora a gente tá qui, daqui um poco a gente num sabe se tá ou não, é compricada essa vida nossa não?! Com todo respeito cê é muito linda, só o que estraga, são esses zóios tristes, aposto que eles já foram felizes.
Parou por um instante, ela ficou refletindo, depois da separação a vida tinha perdido a graça, ele continuou...
Senhor: A urtima coisa Moça, perde tempo não?! Devova a aligria de volta a seus zóio. Agora eu vo desce, tchau, pense no que eu disse.
Ela pensou, tudo fazia sentido, a separação tinha sido por culpa dela, mas lembrou que pediu pra voltar, mas ele já não a queria mais, já tinha feito outra tatuagem no local da deles, e seguiu seu rumo.
Como é que poderia correr atrás de uma alegria que a evitava?
Tirou os fones das orelhas, talvez ela deveria seguir seu rumo também, mas será que a felicidade não era ao lado dele? Todos os momentos não significaram nada?
Uma lágrima molhou o rosto, ela a secou rapidamente.
Senhora: Tá tudo bem?
Ela: Sim, está.
Levantou e desceu antes que ouvisse mais uma filosofia de vida.
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